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Grandes nomes do Jornalismo

 O projeto tem como objetivo reunir grupos de alunos de Jornalismo que queiram pesquisar e elaborar material informativo para apresentação durante a Secom sobre a trajetória de jornalistas brasileiros. Robson Bastos coordena este projeto. 

 A ideia é divulgar,de uma forma abrangente,rápida e que pudesse gerar comentários, entre alunos e professores, um blog, que utiliza a linguagem ideal para isso, com  facilidade de navegação e linguagem dinâmica, conheceremos a vida e os feitos de Joel Silveira. Em uma brilhante trajetória deste que sem contestações foi um grande nome do jornalismo brasileiro.

Fabricio do Carmo

Joel Silveira

Joel Silveira é sergipano de Aracajú, onde nasceu em 23 de setembro de 1918. Veio para o Rio em 1937, tendo se destacado como jornalista e escritor.  Tem hoje cerca de 40 livros publicados.  Foi agraciado com o prêmio "Machado de Assis", o mais importante da Academia Brasileira de Letras, em 1998, pelo conjunto de sua obra.  Foi também ganhador dos prêmios "Líbero Badaró", "Prêmio Esso Especial", "Prêmio Jabuti" e o "Golfinho de Ouro".

O escritor e jornalista faleceu no dia 15 de agosto de 2007 na cidade do Rio de Janeiro.

A víbora

 

  Na primeira metade do século passado, ganhou o apelido, por conta da reportagem 'Eram assim os grã-finos em São Paulo', que foi publicada na revista Diretrizes e desagradou profundamente àelite paulistana. Recheado de críticas ao comportamento daquela burguesia emergente, o texto consagrou o jovem repórter, que deixara seu estado natal para se estabelecer definitivamente no Rio de Janeiro.

Trabalho como correspondente

”O senhor vai para a guerra, mas não me morra, seu Silveira! Não me morra! Repórter é para mandar notícias, não para morrer!” disse Assis chateaubriand  que o escolheu , para fazer a cobertura do Conflito Armado para os Diários dos associados.
  Houveram restrições ao seu embarque por parte do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão de controle criado durante a ditadura do Estado Novo, e por parte do então, Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, por considerá-lo “comunista’. Mas, apesar dos protestos teve o aval do presidente Getúlio, atendendo solicitação de Chateaubriand.
 Assim, o jovem jornalista se tornou um entre outros correspondestes brasileiros a ser integrado à Força Expedicionária Brasileira nos Apeninos.
Embarcou para a Itália no 1º Escalão da Força Expedicionária Brasileira. Ao chegar à Europa, Joel tinha 26 anos e era o mais jovem de todos os Correspondentes de Guerra.
Em seu livro o “Inverno na Guerra”, um diário de bordo, reeditado, por ocasião da comemoração dos 60 anos do fim da 2ª Guerra, Joel faz um emocionante relato da participação dos nossos “pracinhas” no conflito e o cotidiano de um correspondente de guerra.
Ao tecer sobre o papel do jornalista na Itália, rebate críticas feitas por pessoas mal esclarecidas sobre a atuação da Força Expedicionária Brasileira: No primeiro capítulo do livro acima citado.




“A Guerra não foi um passeio”... “A guerra é cheia de truques, todos nojentos; e um dos mais nojentos é fazer com que alguém que com ela conviveu durante meses acabe sendo condicionado por ela. Por isso é que naqueles dias, véspera de volta pra casa, eu sentia que não fora apenas a guerra que havia acabado, mas também uma parte do que eu era antes de chegar à Itália. Por isto é que costumo dizer que cheguei à Itália com 26 anos e voltei com 40. A Guerra, repito é nojenta. E o que ela nos tira (quando não nos tira a vida) nunca mais nos devolve”


No livro de sua autoria,Joel descreve sua passagem de ano (1944-1945) no artigo “O ANO NOVO”
Volto aqui a Roma depois de 11 dias intensos na frente brasileira. A descrição detalhada destes últimos dias serviria para desiludir algum espírito ingênuo e otimista capaz de julgar ser a vida do correspondente de guerra na Itália ou em qualquer outro “front” do mundo, um paraíso movimentado e colorido. Não quero me prolongar muito a respeito, mas quando o leitor souber que entre o dia 25 de dezembro último e este 2 de janeiro só me foi possível tomar um banho, apressado e econômico, poderá por si mesmo tirar outras conclusões a propósito da vida que levamos aqui. Mas é lógico que isto não acontece somente com os correspondentes, obrigados a andar de um lado para o outro, sem pouso certo para dormir ou para comer. A guerra é, na sua totalidade, uma coisa incômoda, incômoda para o general, para o coronel, para o pracinha ou para o correspondente.

As noites de 26, 27, e 28 haviam sido terríveis. Sabíamos mais ou menos o que estava acontecendo, porque o coronal havia chamado todos nós e, diante de um mapa minucioso, explicado as ultimas manobras e intenções do inimigo. As últimas informações de partigiani chegadas ao 5º exército revelavam a marcha de quatro ou cinco divisões nazi-fascistas do norte italiano para o sul, e tudo mostrava que os alemães, à semelhança do que estava fazendo na frente do Ocidente europeu, tencionavam dar inicio a uma grande ofensiva até o porto de Livorno.

A investida nazista contra uma divisão negra norte-americana e a reconquista de Barga, num setor que meses atrás estava sendo defendido pelos brasileiros, não queria dizer outra coisa. A verdade, porém, é que tudo acabou bem, como devem ter lido nas noticias telegráficas das agências.

Barga foi novamente libertada pelos aliados e os nazistas empurrados para além de suas linhas anteriores. Entre a investida nazista e o contra ataque aliado, que libertou, a pequena cidade medieval esteve perto de dois dias nas mãos dos alemães. O tempo foi pouco, mas o suficiente para que os tedescos cometessem contra a população algumas de suas típicas barbaridades. Homens e rapazes válidos foram mandados para o trabalho forçado no norte italiano, alguns elementos partigiani presos e torturados. Sigo amanhã cedo para lá, juntamente com alguns outros correspondentes estrangeiros, o que significa dizer que dentro de poucas horas a história da curta ocupação de Barga poderá ser revelada em todos os seus detalhes.

A notícia de que os alemães estavam avançando na Itália lançou o pânico nas populações vizinhas à frente de batalha. Os civis nos seguravam nas ruas para saber das últimas notícias. Um medo angustioso e desesperado estava estampado nos rostos aflitos que nos indagavam se era verdade que os tedescos estavam vindo de volta. Por alguns instantes, nas estradas e caminhos da frente noroeste aliada, podia-se contemplar um dos espetáculos mais comuns desta guerra fria: filas de civis, com pertences às costas, fugindo de um inimigo que parecia retornar com a mesma fúria e implacabilidade dos seus primeiros avanços, naqueles distantes dias em que a guerra era uma coisa sua.

Lembrei-me, então, de muitos dos muros pichados nas cidades e povoados livres dos nazistas, e fiquei a imaginar comigo mesmo qual seria a reação das SS ou da Gestapo diante de frases como estas: “Viva a Inglaterra!” “Viva a Rússia!”, “Morte aos fascistas!”. “Os tedescos precisam ser eliminados!”. “A América toda poderosa nos salvará!”. Possivelmente, os muros pichados de Barga terão justificado os dois dias de crueldade nazistas, se é que o alemão necessita de qualquer justificativa para praticar os seus crimes.

A revelação de que os tedescos foram derrotados e estavam fugindo para os seus montes e casamatas nos chegou numa madrugada, quando tentávamos adormecer sob o tiroteio que visava o quartel avançado das tropas brasileiras. Voltamos a descer pelos Apeninos, até nosso Quartel general avançado, e o último dia de 1944 nos encontrou aboletados num jipe a caminho do que Roma representava para nós, esgotado por noites intranqüilas e atormentados pela neve e pela poeira de mil caminhos: um bom banho quente, uma cama macia e confortável, uma luz regular com a qual é possível ler alguma coisa, informações e noticias em dia do mundo.

Mas o triste é que vim encontrar o Hotel de
la Ville, “o lar dos correspondentes”, como explica uma de suas tabuletas na porta da frente, inteiramente tomado, sem um único quarto para o povero brasiliano rovinato.

Tenho que passar esta última noite de 1944 no quarto de um colega neozelandês, comprido e falador, pois que só amanhã o aflito gerente me conseguirá uma cama e um banheiro meus. Esfrego o rosto apressado, e ainda com os olhos ardendo de poeira vou lá para baixo, para o bar, onde uma multidão complexa e diferente canta e dança como componentes de uma só família. O ano de 1945 me encontra cochilando numa poltrona, defronte uma lareira apagada e diante de um conhaque vermelho e sem gosto. Foram as badaladas do Big Bem, irradiadas de Londres para os correspondentes do Hotel de
la Ville, que me despertaram, e aqui eu faço votos para que nunca mais aconteça, em toda a minha vida,uma outra passagem de ano semelhante.

Não devo esquecer também o gesto espontâneo e gentil da bela correspondente sul-africana (ela se chama Norinha). Meia noite, ela me bateu no ombro e ergueu uma taça de champanhe. Suas faces estavam coradas, a luz brilhava nos seus cabelos pretos e sua voz veio até mim como uma coisa inesperada, mas muito desejada:
- Feliz Ano Novo para os brasileiros.
Foi um pequeno instante de felicidade que fico devendo à África do Sul.

Assis Chateaubriand


Fiquei cinco anos na revista Diretrizes. Ela foi fechada em 1944, por causa de uma entrevista que fiz com o Monteiro Lobato, na qual ele declarou: “O voto deve sair do povo como a fumaça da fogueira”. O Samuel Wainer botou a cara do Lobato na capa junto com essa frase. Aí o Departamento de Imprensa e Propaganda fechou a revista. Eu fugi para Sergipe e o Samuel se asilou na embaixada do Chile. Depois de 15 dias no Sergipe, o Assis Chateaubriand mandou me chamar. Eu não gostava dele. Não pessoalmente, mas dos métodos dele, da sua maneira de fazer jornalismo. Hoje eu tenho outra visão. Ele era um jornalista que extorquia dinheiro dos ricos, mas ao mesmo tempo foi o homem que fez o Museu de Arte de São Paulo, incentivou o princípio da aviação brasileira, trouxe para cá a televisão. Ele tinha um lado positivo. Quando eu entrei na sala dele ele me disse: “Senhor Silveira, o senhor é uma víbora e o senhor vai trabalhar para mim. Vá lá para o terceiro andar e fale com o Carlos Lacerda”.


Em entrevista à Márcio Sampaio de Castro

Entrevistas


O senhor entrevistou quase todas as personalidades do Brasil. Quem o senhor gostaria de ter entrevistado e não entrevistou?
- Eu vou contar o meu fracasso. Repórter gosta muito de contar glórias. Eu conto quando me perguntam, mas também gosto de contar meus fracassos. Em 1952, estava em Paris com o Samuel Wainer projetando o semanário Flan, que iríamos lançar aqui. Então, li no jornal que o Hemingway estava em Paris e que toda manhã ele ficava em um bistrozinho, de 9h a 11h, mas me fiz de desentendido. Quando encontrei o Samuel no hotel dele, ele perguntou se eu sabia que o Hemingway estava em Paris e me mandou fazer entrevista com ele. Cheguei às 8h e comecei a beber para tomar coragem: ''O que é que eu vou perguntar a Ernest Hemingway?''. Um vago repórter do Brasil, entrevistar essa sumidade internacional... E fui bebendo para me encorajar. Então, como ele gostava muito de safári, pensei em perguntar se ele já tinha imaginado fazer um safári na Amazônia. Eu vi o homem lá, lendo um jornal que, se não me engano, era de corrida de cavalo. Então tomei o último conhaque, fui ao banheiro, e, quando voltei, o homem tinha ido embora. Mas eu não podia dizer ao Samuel que havia fracassado. Fui para o hotel e disse: ''Samuel você é o sujeito mais mal informado que já vi na minha vida. Hemingway foi embora há três dias, Samuel, ele já está na Espanha. Você me deixa plantado lá naquele cafezinho chato pra nada!''. Olha, mesmo que o Hemingway tivesse me dado uma bofetada, seria um assunto: ''Eu levei uma bofetada de Hemingway''. Esse foi o meu grande fracasso.

 Paulo Celso Pereira 
Especial para o JB  

Livros Publicados

 São cerca de 40 titulos publicados,dos quais destacam-se:

O Inverno da Guerra, reúne as melhores histórias do trabalho de Joel como correspondente dos Diários Associados - publicadas originalmente em 1945 no livro "Histórias de Pracinhas" fora das livrarias há mais de 30 anos -, além de um texto inédito do autor preparado especialmente para esta edição.O livro apresenta o cotidiano de uma guerra com seus absurdos e contradições. É a travessia no navio com seis mil soldados, a chegada numa Itália semi-destruída, a relação com os outros correspondentes - sobretudo os amigos Rubem Braga do Diário Carioca, Egydio Squeff, do O Globo e Thassilo Mitke, da Agência Nacional -, o perigoso trabalho de apuração e o convívio com pracinhas e oficialato. Há momentos de tensão, medo e horror. De heroísmo e solidariedade.
Objetiva,2005 



Diário do Último Dinossauro, retrata essa carreira de repórter e cronista através de 262 pequenos textos que refletem sobre o ser jornalista, portanto um livro de memórias, ao lado de alfinetadas sobre assuntos diversos, entre os quais literatura, política e história. Além de Joel, Geneton Moraes Neto e Paulo Polzonoff Jr também colaboram no Diário do último dinossauro – prefácio e pósfácio respectivamente.

Travessa dos Editores,2004




Memórias de alegria,uma coletânea de histórias, reportagens, artigos e impressões de Joel Silveira
ao longo de sua trajetória pessoal e profissional.
 Mauad, 2001




Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista, reúne textos do repórter que cobriu a Segunda Guerra a serviço de Assis Chateaubriand, o Chatô, que o considerava "uma víbora".Com reportagens, crônicas e entrevistas, o livro traça um panorama do país na década de 40, com a marca do bom humor e da ironia de Joel Silveira.


Companhia das letras,2003





A Feijoada Que Derrubou o Governo, reúne histórias políticas sempre saborosas, tanto das grandes figuras da República, como Juscelino Kubitschek, João Goulart ou Jânio Quadros, como das menos conhecidas do público atual (mas não por isso menos interessantes). Uma delas é Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, a raposa mineira que tirava a meia sem tirar o sapato e que, ao deixar o Ministério da Fazenda, pediu sete contos emprestados para pagar suas dívidas. Já o chefe de polícia de Getulio Vargas, João Alberto Lins de Barros, intimava os amigos a comparecer de madrugada à delegacia com o objetivo de formar uma roda de pôquer. Só Getulio Vargas recusou-se a dar entrevista a Joel - esmagou no cinzeiro o que restava do charuto e saiu sem se despedir, batendo a porta. O incidente, claro, rendeu matéria. Em meio a esses personagens todos, salta aos olhos um em especial - o próprio Joel.

 Companhia das Letras,2004

Os amigos

“Durante muitos anos juntos na Manchete, pude sentir que estava diante do maior repórter brasileiro, não pela experiência acumulada na cobertura da II Guerra, mas pelas grandes matérias que ele produziu para a revista. O Brasil perde um grande escritor, um grande amigo e um grande jornalista.” 

Arnaldo Niskier, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras 





“Sempre tive um contato amigo com Joel. Eu o conheci quando era repórter do Segundo Caderno, do Globo. Depois de sair do jornal e fundar minha editora, fui procurada por ele, que me deu o texto de ‘II Guerra: momentos críticos’, o primeiro livro dele editado pela Mauad. Joel teve uma experiência excepcional, uma trajetória que deve ser conhecida pelos estudantes de Jornalismo. Juntava à informação jornalística um texto gostoso, de bom conteúdo e com fluidez. É uma grande perda para o jornalismo brasileiro.” 

Isabel Mauad, jornalista e proprietária da Mauad Editora 








“O que fica? Um excepcional trabalho jornalístico: os textos de Joel sobre a guerra são clássicos. Páginas como a descrição do encontro com Getúlio Vargas. O Joel que fica é o repórter talentosíssimo, o precursor brasileiro do chamado novo jornalismo, a ‘víbora’ divertida e ferina. Joel foi mestre e amigo. A morte é, como sempre, uma piada de péssimo gosto. O Joel de nossas lembranças vai ser sempre o que se revelava em conversas como a entrevista que fiz com ele em 2004.” 

Geneton Moraes Neto, repórter especial do “Fantástico” 





“Tive três grandes amigos que, coincidentemente, participaram comigo da cobertura da II Guerra: o Rubem Braga, o Egydio Squeff e o Joel Silveira, com quem convivi por bastante tempo na Última Hora, onde se tornou braço direito de Samuel Wainer. Foi um grande jornalista e amigo. Lamento que, de todos os companheiros do tempo como correspondente da Força Expedicionária Brasileira, agora reste apenas eu. A última vez que vi Joel foi na ABI, durante a entrega de algum prêmio a ele. Estou triste, a saudade dói.” 

Moacir Werneck de Castro, jornalista e escritor 





“Pessoalmente, fui conhecer o Joel Silveira há dez anos quando organizei o livro ‘Repórteres’, para o qual ele fez um texto brilhante sobre o jornalismo que conheceu da década de 1940 até os dias atuais, quando as redações foram informatizadas. Foi ele também que, recentemente, escreveu a apresentação do meu livro sobre Graciliano Ramos. Mas já o conhecia desde os tempos em que eu me iniciei no jornalismo, pela leitura dos seus textos que sempre foram uma grande referência para mim. Joel Silveira foi repórter até o fim e criou uma maneira peculiar de contar suas histórias, que não ficavam nada a dever aos textos das grandes estrelas da imprensa mundial, como Truman Capote e Gay Talese. Com a memorável reportagem ‘A milésima segunda noite na Avenida Paulista’ — que ele fez sobre o comportamento da alta sociedade paulista daquele período —, Joel provou que o elogiado modelo de jornalismo norte-americano introduzido no Brasil a partir dos anos 60 não era uma coisa nova.” 

Audálio Dantas, Vice-presidente da ABI 








"Joel Silveira foi o maior repórter brasileiro dos últimos 50 anos. E foi importante também como escritor, contista e um lutador pelas liberdades democráticas. Sua atuação como correspondente de guerra, na Força Expedicionária Brasileira, deixou um grande exemplo para várias gerações de profissionais" 

Cícero Sandroni, jornalista e Secretário-geral da Academia Brasileira de Letras






“Nós dois pertencemos a uma geração de jornalistas que começou os seus tempos quando a Capital funcionava no Palácio Tiradentes. Então, começamos uma grande amizade e coleguismo todo especial, na época áurea da democracia brasileira, entre os anos de 1950 e 1960. Com o Congresso funcionando no Rio com sessões inesquecíveis de grandes debates entre admiráveis, como Adauto Cardoso, Aliomar Baleeiro; Prado Kelly, os dois Mangabeira, Otávio e João, os dois Cunha, Vieira de Melo e Raul Pilla e Mário Martins. Nós, no Comitê de Imprensa da Câmara, tínhamos acesso direto a todos eles ali no plenário e o Joel se destacou como um dos nossos repórteres mais competentes. 

Pouco antes ele fora escolhido por Assis Chateaubriand para acompanhar a ida da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para lutar na Europa. Chateau chamou-lhe no gabinete e disse: ‘Seu Joel, estou precisando muito que o senhor me vá à Europa cobrir essa FEB, mas por favor não me morra, porque repórter não é para morrer e sim para mandar notícia.’

Joel foi depositário de muitos anos de atuação permanente da imprensa brasileira. Dele vamos sentir muita falta e saudade imensa.” 

Murilo Mello Filho, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras 







“Eu e o Joel Silveira fomos uns dos primeiros jornalistas a pisar em Brasília, para fazer uma reportagem sobre a Capital da República, cumprindo uma pauta a pedido do Adolpho Bloch para a revista Manchete. Me lembro que desembarcamos de avião em Anápolis e depois seguimos de carro até o Distrito Federal. O Joel Silveira era um grande repórter, como pessoa humana era gentil e amigo, sempre ajudando os fotógrafos que trabalhavam com ele. Eu também o admirava porque ele não tinha papas na língua, não admitia coisas erradas.” 

Gervásio Batista, repórter-fotográfico da Radiobrás 


15/08/2007

Jornalista e escritor Joel Silveira morre aos 88 anos no Rio

O escritor e jornalista Joel Silveira morreu hoje aos 88 anos no Rio de Janeiro. Ele estava em casa e sofria de câncer de próstata.
Silveira estava doente há muitos anos. Nas últimas semanas, apresentou uma anemia profunda, piorando o quadro. Segundo sua filha Elisabeth Silveira, 61, ele morreu dormindo, às 8h.
"Ele tinha um tumor há muitos anos e não quis fazer nenhum tratamento", afirma ela. "Mas morreu em paz, como merecia."

A pedido do jornalista, não haverá velório. A cerimônia de cremação ocorrerá na quinta-feira (16), no crematório da Santa Casa de Misericórdia. A despedida será iniciada às 14h. Silveira deixa três filhos.




 Folha Online