Fiquei cinco anos na revista Diretrizes. Ela foi fechada em 1944, por causa de uma entrevista que fiz com o Monteiro Lobato, na qual ele declarou: “O voto deve sair do povo como a fumaça da fogueira”. O Samuel Wainer botou a cara do Lobato na capa junto com essa frase. Aí o Departamento de Imprensa e Propaganda fechou a revista. Eu fugi para Sergipe e o Samuel se asilou na embaixada do Chile. Depois de 15 dias no Sergipe, o Assis Chateaubriand mandou me chamar. Eu não gostava dele. Não pessoalmente, mas dos métodos dele, da sua maneira de fazer jornalismo. Hoje eu tenho outra visão. Ele era um jornalista que extorquia dinheiro dos ricos, mas ao mesmo tempo foi o homem que fez o Museu de Arte de São Paulo, incentivou o princípio da aviação brasileira, trouxe para cá a televisão. Ele tinha um lado positivo. Quando eu entrei na sala dele ele me disse: “Senhor Silveira, o senhor é uma víbora e o senhor vai trabalhar para mim. Vá lá para o terceiro andar e fale com o Carlos Lacerda”.
Em entrevista à Márcio Sampaio de Castro
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