Arnaldo Niskier, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras
“Sempre tive um contato amigo com Joel. Eu o conheci quando era repórter do Segundo Caderno, do Globo. Depois de sair do jornal e fundar minha editora, fui procurada por ele, que me deu o texto de ‘II Guerra: momentos críticos’, o primeiro livro dele editado pela Mauad. Joel teve uma experiência excepcional, uma trajetória que deve ser conhecida pelos estudantes de Jornalismo. Juntava à informação jornalística um texto gostoso, de bom conteúdo e com fluidez. É uma grande perda para o jornalismo brasileiro.”
Isabel Mauad, jornalista e proprietária da Mauad Editora
“O que fica? Um excepcional trabalho jornalístico: os textos de Joel sobre a guerra são clássicos. Páginas como a descrição do encontro com Getúlio Vargas. O Joel que fica é o repórter talentosíssimo, o precursor brasileiro do chamado novo jornalismo, a ‘víbora’ divertida e ferina. Joel foi mestre e amigo. A morte é, como sempre, uma piada de péssimo gosto. O Joel de nossas lembranças vai ser sempre o que se revelava em conversas como a entrevista que fiz com ele em 2004.”
Geneton Moraes Neto, repórter especial do “Fantástico”
“Tive três grandes amigos que, coincidentemente, participaram comigo da cobertura da II Guerra: o Rubem Braga, o Egydio Squeff e o Joel Silveira, com quem convivi por bastante tempo na Última Hora, onde se tornou braço direito de Samuel Wainer. Foi um grande jornalista e amigo. Lamento que, de todos os companheiros do tempo como correspondente da Força Expedicionária Brasileira, agora reste apenas eu. A última vez que vi Joel foi na ABI, durante a entrega de algum prêmio a ele. Estou triste, a saudade dói.”
Moacir Werneck de Castro, jornalista e escritor
“Pessoalmente, fui conhecer o Joel Silveira há dez anos quando organizei o livro ‘Repórteres’, para o qual ele fez um texto brilhante sobre o jornalismo que conheceu da década de 1940 até os dias atuais, quando as redações foram informatizadas. Foi ele também que, recentemente, escreveu a apresentação do meu livro sobre Graciliano Ramos. Mas já o conhecia desde os tempos em que eu me iniciei no jornalismo, pela leitura dos seus textos que sempre foram uma grande referência para mim. Joel Silveira foi repórter até o fim e criou uma maneira peculiar de contar suas histórias, que não ficavam nada a dever aos textos das grandes estrelas da imprensa mundial, como Truman Capote e Gay Talese. Com a memorável reportagem ‘A milésima segunda noite na Avenida Paulista’ — que ele fez sobre o comportamento da alta sociedade paulista daquele período —, Joel provou que o elogiado modelo de jornalismo norte-americano introduzido no Brasil a partir dos anos 60 não era uma coisa nova.”
Audálio Dantas, Vice-presidente da ABI
"Joel Silveira foi o maior repórter brasileiro dos últimos 50 anos. E foi importante também como escritor, contista e um lutador pelas liberdades democráticas. Sua atuação como correspondente de guerra, na Força Expedicionária Brasileira, deixou um grande exemplo para várias gerações de profissionais"
Cícero Sandroni, jornalista e Secretário-geral da Academia Brasileira de Letras
“Nós dois pertencemos a uma geração de jornalistas que começou os seus tempos quando a Capital funcionava no Palácio Tiradentes. Então, começamos uma grande amizade e coleguismo todo especial, na época áurea da democracia brasileira, entre os anos de 1950 e 1960. Com o Congresso funcionando no Rio com sessões inesquecíveis de grandes debates entre admiráveis, como Adauto Cardoso, Aliomar Baleeiro; Prado Kelly, os dois Mangabeira, Otávio e João, os dois Cunha, Vieira de Melo e Raul Pilla e Mário Martins. Nós, no Comitê de Imprensa da Câmara, tínhamos acesso direto a todos eles ali no plenário e o Joel se destacou como um dos nossos repórteres mais competentes.
Pouco antes ele fora escolhido por Assis Chateaubriand para acompanhar a ida da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para lutar na Europa. Chateau chamou-lhe no gabinete e disse: ‘Seu Joel, estou precisando muito que o senhor me vá à Europa cobrir essa FEB, mas por favor não me morra, porque repórter não é para morrer e sim para mandar notícia.’
Joel foi depositário de muitos anos de atuação permanente da imprensa brasileira. Dele vamos sentir muita falta e saudade imensa.”
Murilo Mello Filho, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras
“Eu e o Joel Silveira fomos uns dos primeiros jornalistas a pisar em Brasília, para fazer uma reportagem sobre a Capital da República, cumprindo uma pauta a pedido do Adolpho Bloch para a revista Manchete. Me lembro que desembarcamos de avião em Anápolis e depois seguimos de carro até o Distrito Federal. O Joel Silveira era um grande repórter, como pessoa humana era gentil e amigo, sempre ajudando os fotógrafos que trabalhavam com ele. Eu também o admirava porque ele não tinha papas na língua, não admitia coisas erradas.”
Gervásio Batista, repórter-fotográfico da Radiobrás
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